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quinta-feira, 3 de maio de 2012
Fagner diz: "deus é uma viagem"
O show que reuniu os cearenses Fagner e Cidadão Instigado no mesmo palco aconteceu no ano passado, mas até então eu só tinha visto a banda tocando com Fagner as músicas do repertório do cantor. Ao ver o Fagner cantando uma música do CI me senti na obrigação de publicar: Fagner e Cidadão Instigado em "Deus é uma viagem"! Curtam! =)
domingo, 24 de julho de 2011
Fagner "Manera Fru Fru Manera (ou O último pau de arara)" (1973)
As músicas mais recentes de Fagner são meio xarope, fato! Mas nos anos 70 o singer-songwriter cearense tinha o hábito de ser bem mais inventivo quando resolvia soltar um disco na praça. Manera Fru Fru Manera foi lançado em 1973, dois anos após seu primeiro compacto (leia aqui). O disco mescla composições do próprio cantor com outros compositores (incluindo a famigerada "parceria" com Cecília Meireles) e foi meio fracasso de vendas em seu lançamento. Com o posterior sucesso do cantor, o disco foi relançado e só então caiu no gosto popular, elevando algumas de suas canções ao status de clássicos da MPB
O disco abre com "O último pau de arara", classico do sertanejo-sofre-mas-faz-música-boa e também título alternativo para o álbum (nunca entendi muito bem esse "ou" aí, mas tudo bem)! Na sequência "Nasci para chorar", (versão para "Born to cry" feita por Erasmo Carlos) em versão mais crua e (IMHO) superior à que Roberto Carlos gravou quase 10 anos antes dá um tom mais rock pro disco. "Penas do Tiê" abre asparticipações no disco com Nara Leão dividindo os vocais na música do folclore com adaptação de Fagner (li em algum lugar um tempo atrás que alguém tava acusando Fagner de plágio, alegando que essa música tinha dono sim senhor, mas não sei o que rolou depois). É a faixa mais cansadinha e a única que de vez em quando eu passo quando tô ouvindo o disco. Pianão com vontade, slide de baixo, violão e "pare-me! veja-me! não há novidade alguma nos meus olhos espantados", começa "Moto 1" e Fagner já avisa que "eu preciso é disso mesmo que você diz que eu preciso[...] uma cara mais alegre[...] que só muito amor consegue". Muito bom! O disco segue com uma pérola eterna no repertório de shows do cantor cearense, "Mucuripe". Pra namorar sem vontade de casar! Finalizando o lado A do disco ainda tem "Como se fosse". Canção bonitinha, com violão, percussões simples e Fagner cantando "mais chorado que vivido". "Linda como a conquista das estrelas" =)
Virando o disco, mais uma participação de Nara Leão, "Pé de sonhos". O refrão tem uma vibe meio de "A banda" (vai ver por isso a participação da cantora hehe). Gostosa de ouvir, mas não diz muito sobre o disco. Aí vem o sucesso do disco. A (provavelmente) mais polêmica música já gravada por Fagner. Olhando aqui no disco (sim, eu tenho o vinil aqui \o/) apenas o nome de Fagner aparece como compositor de "Canteiros", sendo Belchior responsável pelo trecho do "moço pra tanta tristeza", que vem da música "Na hora do almoço", o que levou os herdeiros de Cecília Meireles a caírem em cima acusando Fagner de plágio, por catar uns versos da poetisa e colocar na letra. Escândalo na MPB hehe! A faixa foi retirada das prensagens posteriores, entrando "Cavalo Ferro" (do compacto de dois anos antes) em seu lugar. Fagner ficou impedido de cantá-la por anos (só voltou a cantar em 2000, se não me falha a memória, num disco ao vivo gravado em Fortaleza). O disco em vinil que saiu ainda com a faixa virou artigo de colecionador e item (mais ou menos) raro (o que eu tenho aqui tem). Ainda temos "Sina", com sua bonita letra sobre o sujeito humilde do interior que não "invejo o dinheiro nem 'diproma de dotô'" e seu arranjo belo com violão, gaita e ao final trompa, dando um toque de classe, “Tambores”, também um arranjo simples apenas com violão e percussão, “Serenou na madrugada”, outra adaptação do folclore feita por Fagner e fecha com a faixa-título “Manera fru fru manera”, essa uma viagem por Centauro Fru Fru, Chicó no Icó e andar na “buleia” que é “mió” e viajar! Sensacional! =D
Como eu disse antes, Fagner tem uma discografia recheada de músicas inventivas, que só um artista de grande talento poderia proporcionar! Mesmo sendo canções sem grande apelo comercial, várias delas entraram para a ala de grandes sucessos da MPB, tendo sido regravadas por grandes nomes da nossa música. Até que Fagner conheceu vossa majestade e a coisa desandou rumo às rádios, mas isso é outra história.
Tracklist:
1. "Último Pau-de-Arara"
2. "Nasci Para Chorar" (Dion / Dimucci / versão: Erasmo Carlos)
3. "Penas do Tiê" (Folclore / adap. Raimundo Fagner)
4. "Moto 1" (Raimundo Fagner / Belchior)
5. "Mucuripe" (Raimundo Fagner / Belchior)
6. "Como Se Fosse" (Raimundo Fagner / Capinan)
7. "Pé de Sonhos" (Petrúcio Maia / Brandão)
8. "Canteiros" (Raimundo Fagner/Cecília Meireles)
* "Cavalo Ferro" (Raimundo Fagner / Ricardo Bezerra)
9. "Sina" (Raimundo Fagner / Ricardo Bezerra / Patativa do Assaré)
10. "Tambores" (Raimundo Fagner / Ronaldo Bastos)
11. "Serenou na Madrugada" (Folclore / adap. Raimundo Fagner)12. "Manera Fru Fru, Manera" (Raimundo Fagner/R. Bezerra)
*Canção lançada na edição do ano de 1991 no lugar da faixa "Canteiros"
quarta-feira, 14 de abril de 2010
pomapomarola | Eu só quero ouvir: Fagner - "Cavalo Ferro" (1972) Compacto Duplo

Com o lançamento do "Disco de Bolso" a imprensa começou a divulgar mais intensamente o nome de Raimundo Fagner "o cearense que já havia sido gravado por Elis Regina". O cordão umbilical incomodava, mas naquele momento era necessário. Pouco tempo depois, Raimundo Fagner foi contratado pela gravadora Philips/Phonogram, uma das grandes companhias da indústria fonográfica.
Enquanto preparava o repertório para o seu disco de estréia na Philips, decidiu participar do Festival Internacional da Canção que aconteceria em setembro de 1972. A gravadora deu total apoio, inclusive com o Departamento de Imprensa à sua inteira disposição, distribuindo para os jornais do eixo Rio-São Paulo um press-release anunciando para breve o lançamento do primeiro compacto duplo e sua participação no FIC, tudo isso em menos de um ano no Rio de Janeiro:
"Antes que o chamado 'grande público' tomasse conhecimento da existência de Fagner... Elis Regina, Ronaldo Bôscoli, Ivan Lins, Roberto Menescal, Quarteto em Cy, ‘estavam amarrados no menino'. E com o talento que levou-o a conquistar cinco prêmios em festivais universitários, em Brasília, prêmios de arranjos e interpretação, inclusive, bastava só o impulso, um empurrãozinho para ele chegar 'lá em cima' . E sentindo 'que as coisas estavam prometendo no Rio', aqui ele aportou há quase um ano, esperando dar seqüência à carreira vitoriosa iniciada em 1968, no IV Festival Cearense de Música Popular. A Philips também acreditou no compositor-cantor Fagner, tanto que deverá sair no final de 72 o seu primeiro compacto duplo. E entre as músicas nele incluídas, 'Cavalo Ferro', 'Fim do Mundo' e 'Amém, Amém', está 'Quatro Graus', música que Fagner defenderá no palco do Maracanãzinho".
O VII FIC começou a acontecer em setembro de 1972, com a perspectiva de resgatar um pouco da credibilidade perdida nos festivais anteriores. Primeiro, a Globo contatou Solano Ribeiro, produtor tarimbado dos Festivais da Record e depois formou um corpo de jurados, composto de jornalistas e músicos experientes, entre estes, Sérgio Cabral, Júlio Medaglia, César Camargo Mariano e Roberto Freire. Mas o sucesso tão esperado, não aconteceu. O VII FIC foi vencido por Maria Alcina cantando "Fio Maravilha", de Jorge Ben. Em segundo lugar ficou "Diálogo", de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, cantada por Tobias e Cláudia Regina.
Embora descontente, Raimundo Fagner não se importou com a desclassificação de "Quatro Graus" no FIC. Ele mesmo havia dito em entrevistas que não queria ganhar e sim que as pessoas ouvissem e cantassem o seu trabalho. Sua meta naquele momento era o lançamento do seu primeiro compacto duplo.
A gravadora Philips embora não estivesse satisfeita com o resultado do FIC, lançou logo após a final do festival o compacto duplo de Raimundo Fagner com as músicas "Fim do Mundo"(Fagner e Fausto Nilo), "Cavalo Ferro" (Fagner e Ricardo Bezerra), "Quatro Graus" (Fagner e Dedé) e "Amém, Amém" (Fagner), afinal, com contrato assinado, era preciso prepará-lo para o primeiro elepê.
O compacto duplo (Philips, 1972, No. 6245.017) contou com o acompanhamento entre outros, de Ivan Lins e de Luís Cláudio. Das músicas do disco, "Cavalo Ferro" e "Quatro Graus" são as mais antigas. Foram compostas em 1970 em Fortaleza, com Raimundo Fagner já morando em Brasília. "Cavalo Ferro" saiu com uma menção honrosa do Festival de Brasília em 71 e, "Quatro Graus" foi desclassificada no VII FIC. Além de figurar no primeiro compacto duplo de Raimundo Fagner a música, "Quatro Graus" também participou de um compacto simples na época do FIC (Philips, 1972 No. 6069.057). No outro lado do disco Renato Teixeira, também participante do Festival, interpretava "O Marinheiro".
Esse texto veio junto com o arquivo compactado do disco. Gostaria muito de mencionar o autor, porém, no próprio texto não informa =/
Grande disco do Fagner inaugurando a sessão do blog "Eu só quero ouvir" destinada para compactos =)
Link: Fagner - Cavalo Ferro - Compacto duplo (1972)
1- Amém, Amém (Raimundo Fagner)
2- Fim do Mundo (Raimundo Fagner/Fausto Nilo)
3- Cavalo Ferro (Raimundo Fagner/Ricardo Bezerra)
4- Quatro Graus (Raimundo Fagner/Dedé Evangelista)
Esse texto veio junto com o arquivo compactado do disco. Gostaria muito de mencionar o autor, porém, no próprio texto não informa =/
Grande disco do Fagner inaugurando a sessão do blog "Eu só quero ouvir" destinada para compactos =)
Link: Fagner - Cavalo Ferro - Compacto duplo (1972)
1- Amém, Amém (Raimundo Fagner)
2- Fim do Mundo (Raimundo Fagner/Fausto Nilo)
3- Cavalo Ferro (Raimundo Fagner/Ricardo Bezerra)
4- Quatro Graus (Raimundo Fagner/Dedé Evangelista)
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